THOUSANDS OF FREE BLOGGER TEMPLATES

Pare o mundo que eu quero descer ...


Raul Seixas


tentando fazer poesia
do que me arranca a Alma,
ela mesma, mesmo que seja em pranto ...

sábado, 29 de janeiro de 2011

EU de Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!


Florbela Espanca

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO




Para os bons momentos, gratidão. Para os maus, esperança. Para cada dia, uma ilusão. E sempre, sempre, felicidade. É o que te desejo neste ano novo!

ANO NOVO




… e mais um ano se foi, tá indo, só falta um dia… para começar…  mais um … novo…
mais um ano da minha vida, mais um ano da minha caminhada, mais um ano que se me encara cheio de oportunidades, expectativas, miras, mas que, e também, mais um ano que se me depara cheio de indeterminações… ambiguidades, hesitações, interrogações, vacilações….
meu costume neste trânsito, pensar tantas vezes e quando estou sozinha … como se fosse a primeira vez…  com tanta paixão… e nas horas que passam por mim … sempre perto dos derradeiros dias , não antes, daquele  período que está a findar  … imaginar… iludir … que vou ser feliz no ano que está prestes a brotar,  sonhar com uma nova oportunidade de metamorfose, a transmutação daquilo que nunca até à data completei ou tive forças para obrar, mudanças de algo que, conjecturo, imagino , com  o trânsito de um ano para o outro vou alcançar….  e afianço  a mim mesma… vou neste ano que começa … reformar, vou fazer aquilo e o outro que até agora não fiz e sempre aprazei, vou preocupar-me mais comigo,  vou fazer tal e tal que não tive coragem ou disposição de fazer até agora, e vou… vou.. vou… mudar (…)
e  a noite vem e tocam as badaladas, dá a meia noite, e no segundo seguinte começa um novo ano,  na minha vida, grito, bebo, brindo,  canto, danço até à exaustão, e todos os mais “os” que possam existir,  e…. no dia seguinte, quando amanhece, o mais provável é nem sequer chegar a ver o amanhecer do dia em que tudo deveria começar a mudar… estarei, provavelmente, atordoada  num sono profundo, reabilitador, da noite que passou e que começou à poucos momentos pois tentei utilizar a noite até ao limite das minhas forças… no sonho que vivo…
e quando acordo… no novo ano,  tudo está igual, as pessoas que me rodeiam  estão iguais, reagem iguais, a casa está igual, as sombras continuam a lá estar, a carregar… carregar… não desapareceram com a entrada do novo ano, as feridas continuam doendo…nada mudou… a esperança sentida dias atrás vai-se desvanecendo… segundo a segundo… a alma continua vazia e os olhos, meus olhos, continuam cheios  de desprazer… vou fazendo tudo aquilo que não queria, não quero , e pouco a pouco vou -me rendendo,  afinal nada mudou….  apenas ficou a minha palavra … de mudança … mentindo a mim mesma, logo quando eu mais precisava mudar… mudar por dentro, logo nesse momento , nesse instante de princípio do ano…  já não vivo … por mim … e a falta de amor… pela minha pessoa,  que  desprezou  todas as promessas feitas num final de ano cheio de esperanças, momentos atrás, pinta o meu coração de dor, numa dor  que mata por dentro, marca de sofrimento… com um nó no coração
….e assim é o meu viver .. todos os fins de ano e começos do novo …não sei porquê mas comigo é sempre assim…

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
-- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

                            Florbela Espanca

sábado, 6 de novembro de 2010

bruscas mudanças



mudanças… bruscas mudanças… que trocaram tudo de lugar, abalaram tudo, arrancaram pilares, raízes, baralharam, marcaram, doeram … dói, ainda dói, muito, deveras muito, debilitaram dentro, fizeram procurar incansavelmente uma causa, um motivo válido

e chego à conclusão, derradeira conclusão … tinha de ser, no fundo tinha de ser, e custa admitir, apesar de chorar e sofrer, prenúncio no meu peito, tinha de ser, apesar de custar dizer, apesar de estar longe de pensar, tinha mesmo de perder, esteve sempre escrito, sei disso, tinha de ser, assim, mudar tudo para me fazer ver, baralhar tudo, e assim crescer, crescer, e deparar-me com a minha negridão, enfrentá-la de frente, sei agora que era impossível fugir, que aconteceu  apenas para me confrontar com tudo que nego, que não admito, mas que é verdadeiro em mim, 

e mais uma vez não segui, fiquei, mantive as velhas raízes sem sequer sacudi-las da terra suja que nelas estão, obstinadas, não tive coragem, força, energia … mais uma vez, para admitir, a mim mesma, que tinha de ser, para que tudo aquilo que uma vez, em algum outro lugar que não aqui, assim decidi, que tinha assim de ser porque assim defini que tinha de ser, e vou iludindo o meu desgosto, condenando-me, por não ter tido mais uma vez bravura, audácia, de seguir aquilo que tenho de ser, para ser o que um dia, não aqui, decidi!

sem mim



sentindo … um emaranhado de emoções, sensações, comoções e sentimentos, elevam-me ao máximo, fazendo-me rastejar num lugar escuro, sombrio, toldado, dentro, sempre dentro, ansiando, sempre, sempre, em vão, agora sei, por um mundo onde possa ser em liberdade tudo aquilo que sou, realmente sou

pergunto-me, pergunto-me constantemente, sem fim, porque sou este enredo intimo de contradições, de dores, de esperanças, de lutas, de fugazes momentos de ténue alegria, de mágoas, tristezas, angústias, de desejos insatisfeitos, de felicidade momentânea fugidia, de desilusão, decepção, e mais, muito mais…e sentir-me mendiga de mim mesma

sinto a vida fugir, dia a dia, segundo a segundo, velozmente a um ritmo alucinante, perturbante  e não consigo acertar o compasso, não consigo mesmo, parar o meu pensamento, traindo momento a momento,  traindo-me, só a mim, e creio, essa é a minha dor, dor de alma que brama dentro, aniquilando, rasgando, rugindo, pesar infindo retalhando, despedaçando, esquartejando o meu verdadeiro ser…

faço, sei que faço, tudo isto para não causar, doer, desiludir, matar, ver, a sombra nos seus olhares, de todos aqueles que amo, que são parte de mim, e para isso abdico de mim mesma, e sigo rastejando, sempre, esquecendo-me de viver tudo aquilo que sou, e sei que vou perdendo, a cada momento, a cada inspiração, e que vou morrendo em vida, assim, sem mim…

segunda-feira, 14 de junho de 2010

DESILUSÃO



desiludida

encontro-me e debato-me constantemente com a desilusão
actos, acções, palavras, sentimentos, emoções, de outros
e também meus, são,

como se este mundo não fosse reconhecido
e tudo que me desilude me quebra a alma
e sinto vontade de fugir, esconder-me, em vão

vezes sem forças sigo, como que obrigada
não entendo minha atitude, não sou eu, nada
avanço retrocendo, sempre, sem chão

e sinto saudade de um mundo
não este,
um onde sou eu, livre, na razão e pensamento
onde a alma não sente desilusão

Por: Analuz

Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o homem chama borboleta.
(Richard Bach)







Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos

Raul Seixas

Mensagens populares