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Pare o mundo que eu quero descer ...


Raul Seixas


tentando fazer poesia
do que me arranca a Alma,
ela mesma, mesmo que seja em pranto ...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Florbela Espanca


Exaltação




Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer

Ao Céu os corações a palpitar!

Deus fez os nossos braços pra prender,

E a boca fez-se sangue pra beijar!



A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...

Asas sempre perdidas a pairar,

Mais alto para as estrelas desprender!...

A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...



Da vida tenho o mel e tenho os travos

No lago dos meus olhos de violetas,

Nos meus beijos extáticos, pagãos!...



Trago na boca o coração dos cravos!

Boémios, vagabundos, e poetas:

--- Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...



Florbela Espanca

domingo, 16 de maio de 2010

Desilusão




"Num amor de verdade não cabe sofrimento. Se seu amor lhe causa dor, não se iluda, não é amor!"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

MULHER



mulher és

vida pura manifestada, tu semeias a existência,
sem ti o mundo  não é, o mundo jamais seria,
seria, apenas, um mundo pardo, sombrio, sem luz,
sem encantos, beleza, prazer, noite ou dia, 

mulher és

perdição de muitos caminhos, sem fim,
por ti lutam, mentem, matariam,
enebriados pela leveza, candura, reluz,
fascinio, feitiço, terno olhar, pura magia

terça-feira, 4 de maio de 2010

Divagação





Sou Alma e vida sem fim...Luz água e vento...fogo dentro em mim... paz a todo o momento 

ANALUZ

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Direitos



ninguém tem direito,

maltratar, no gesto, trazer tormento
roubar liberdade de alguém, igual à que grita dentro,
criticar, em seu proveito, cego de si

ninguém tem direito

violar o sentimento, rasgar a alma
apedrejar coração de alguém, para no seu sentir calma
matar, num segundo, crucificando dentro

 ninguém tem direito

tirar vida, de alguém, num fugaz, eterno? momento
sentindo-se rei, vil, sem rancor, leve
não sabendo, um dia, o que lhe traz o vento,

terça-feira, 27 de abril de 2010

ESVOAÇANDO



Há dias que bate uma tristeza na alma,



tudo vem, tudo se recorda, tudo estremece dentro,


penso e penso, que sou, que tenho feito, que perdi ou tou perdendo, que sinto dentro de mim,


que grito calando!! não me ouço, como posso? não me ouço e raramente me ouvi, o que me grita a alma, o que me pede, o que me suplica, o que me diz, e,


e eu, que faço, que fiz, busco e busco e não encontro, procuro o quê?, a mim mesma, aos outros, a quem?


suplico no meu interior o sentido da vida, minha? dos outros, de alguém! arrasto-me rastejando sem forças, sem limites, sem sentido, sem ninguém! comigo? Sem mim!! porquê??


sonho voando, leve, sem fronteiras, alcançando e alcançando, acordo e caio, caio sempre, mais uma vez, assim, repetidamente, sem fim, perdida me sinto, sempre, sempre,


vezes quase alcanço, mas foge, deixo fugir, escapa-me, liberto? aprisiono sim, aprisiono-me à vida e a vida a mim!!


olho à volta, olho e que vejo, tempo perdido, tempo no fim, pouco tempo, e torno a gritar, e, e mais uma vez calo, calo dentro!


o grito rasga, quebrando, e sinto-me, sinto-me bulir, não adianto, não caminho, por mim, apenas por mim,


e sigo, mais um passo, mais um dia, e outro, e outro e segue assim, e não me ouço, não a mim!! há dias que bate uma tristeza na alma!!

PARA TI

PARA A MULHER QUE ME DEU A HONRA DE SER SUA FILHA NESTA VIDA




... sinto, lágrimas rolando, quentes, humidas, a cair,



transportando pensamentos que querem fugir da mente que recorda, transborda de saudades de ti, tu,



luz frágil, temerosa, triste sem fim, pesarosa, mártir da vida que te abandonou e te fez desistir, desistir sem força mais para lutar, para sorrir, para cantar e seguir nesse caminho da vida,



sorrias, apenas, não rias, não havia alegria em ti, sentia-te criança, procurando refugio, carinho, amor, que nunca te deram, fingiram, negaram deliberadamente, e te minaram a alma, que por si só desistiu, e não te avisou, apanhou-te de surpresa, a todos, a mim,



e cada dia te via partir, mais e mais, a tua luz apagando-se, aos poucos, fazendo-me sentir a dor da minha impotência, e chorava baixinho para não ouvires,



por ti, sofria, sofro, não sei de ti, para onde fostes quando a luz se apagou e os anjos te elevaram, e morri,



contigo, parte de mim, e sonho desde então voar, voar alto para te encontrar e te apertar e dizer tudo aquilo que não te disse, tudo aquilo que queria ouvir, e sentir,tudo aquilo que só, apenas, contigo sentia,



sem ti, continuo, assim, perdida na vida, buscando desesperadamente a chave para abrir a porta que se fechou, nos separou, e procurando um sinal de ti, qualquer sinal que me diga que não te perdi para sempre ... e, e na busca, vou sentindo lágrimas rolando, quentes, humidas a cair ....

Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o homem chama borboleta.
(Richard Bach)







Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos

Raul Seixas

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