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Pare o mundo que eu quero descer ...


Raul Seixas


tentando fazer poesia
do que me arranca a Alma,
ela mesma, mesmo que seja em pranto ...

sexta-feira, 2 de março de 2012

A Vida, não a compreendo ...



O que é a Vida?
como se me tem apresentado,
apenas
um mar de amarguras e poucas alegrias
dores, alergias, a tudo

ou, eu mesma, não saiba apreciar as alegrias, que se me mostram...

sinto gente em dor, amargura,
desiludida, sem rumo algum

sinto, e reparo
crianças a morrer
à fome...
com crancros??...
torturadas
violadas....

sinto e vejo
pessoas idosas abandonadas
quando eles mesmas só podem ser nossa âncora na vida
pela sua experiência vivida ...

sinto, gente, que luta, dia a dia,
por um pão e água para sobreviver
para dar de comer a seus entes queridos
sem nada, ou pouco conseguir...
e reviver

vejo animais, na sua pureza e inocência
magros, esqueléticos, abandonados....
maltratados, aniquilados
quando só querem... viver...

sinto o sofrimento, de todos e mais alguns
que lutam para seguir,
mais um dia, mais uma hora,
sem saber o que lhes trará
a própria Vida que lhes dá
as dores que lhe foram impostas
nem sei por quem...???

presos a cadeiras de rodas
ou mesmo numa cama sem se mexer
atados em dor, física
atroz mental e vivida
segundo a segundo
apenas por viver
mais um segundo ..
ou alguma coisa poder...
 
gente cheia de dor, vendo sua vida vivida desaparecer
ou mesmo, aquela que não conseguiu ser vivida, querendo
sem mesmo saber para onde..???

acidentes, que devastam num segundo as gentes
tufões, vulcões, inundações, terremotos,
sem explicação convincente
de nada
de ninguém!!

como posso apreciar uma vida assim
mesmo que pouco ou nada se me roçe a mim
se sinto e vejo no mundo
tal clausura obrigatória
sem conseguir, ninguém
fugir deste mundo
sem saber sequer o que lhe espera
sem saber quem governa
as Leis deste Mundo

e porque é Assim??...

nada sabe,
ninguém sabe
o porquê deste Mundo
ser de dor
sofrimento, tortura
e quem foi que nos deixou
abandonados
assim...
sem rumo!!

Analuz


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

dedicado a Ti





Não sei quem És,  Deus

caramba, não sei mesmo,

nem sei, quem queres que seja ...
não sei mesmo, agora, onde estou e me deixastes,  perdida,

em mim, quando brado por Ti
porque não te conheço, Aqui

que sei que me deixastes, desamparada,
apenas com  o teu amor
dentro da alma
para, depois de passar por tudo o que querias
que eu passa-se
me voltasse
para Ti

para te buscar
como salvação das minhas mágoas
das minhas dores, atrozes
dos meus quereres amargos ...
que me fizestes sentir aqui
sem mágua tua, dentro

e não sei, por muito que busque
dentro, e fora
da minha alma e fora dela, mesmo
quem tu és, realmente

e porque, com teu grande poder
que sinto, dentro, desde que nasci, aqui ...
mesmo que não o reconheça, não sei o que é
e que me sinto,  gente ....

apenas sei
que tu quisestes que eu sentisse, assim

aqui fica o mistério desse teu querer
dessa tua busca, em mim....

me viro agora, para Ti,
buscando o alívio da aflição que me corrói a alma
essa que tu me destes e que dizes, em panfletos sagrados
que não reconheço

apena me mostram, temor
e não creio

que aquilo que me deu a vida
aquele que me deu a glória de sentir
aquilo que sinto depois de toda a dor passada, neste mundo

pequena que seja para Ti,
minha é de grande labuta

querer buscar, algo que me transcenda
algo que me eleve, tão alto
inesplicável em palavras deste mundo

que me faça, sentir dentro
na viva alma, que tu me destes
singela, porque mais uma, entre muitas

aquelas, todas, que tu achastes que precisavam passar
a derradeira noite escura da alma 

apenas, sei
como sei
não me perguntes,
que quisestes que eu te procurasse
quando não mais forças sinto dentro,

quando nada mais me dá alento
quando, por momentos, penso desistir
da Vida que me destes, aqui, agora
quando me fizestes aqui surgir

como alma desregrada, que sempre fui, tua
e tuas dores, creio-me, senti, dentro
de modo diferente, mas senti

me fazes creer, apenas, que tudo que passei, e sinto que ainda passo

é apenas e mais nada
o amor qure sinto dentro
esse grande Amor
teu abraço

Analuz


Amor eterno





correndo, sinto-me ir

correndo até ti
sem mesmo saber quem eres

correndo, correndo até Ti

sabendo, apenas
que só tu levas meu tempo
só tu levas minha alma
quando me sinto sózinha

e são tantos os momentos
Deus, são tantos
que me fazem querem fugir até ti

e, nos meus sonhos
sempre
corro em tua procura
para que me abraçes e me digas
o que ninguém, até ora conseguiu dizer
ninguém me disse

que no meu coração, teu, sou, tua alma
que sou tuas lágrimas, teu clamor, tua Vida

e quando clamo por ti
mesmo sem saber quem és
sei, que cada dia que passa
sem ternura, sem amor, sem nada

tu, algures, estás á minha espera ...

apenas te sinto a Ti, dentro em mim
sabendo, sentindo, que alguém me ama, me amará, sem fim
com toda sua alma, e que bramas, em alto

que as minhas lágrimas, são as tuas
que a dor, que sinto dentro, que mata
tu a sentes dentro, por mim
e a combates, como guerreiro volátil e audaz que és

apenas, por saberes
mesmo não sabendo quem eu sou
que sou aquela que tu sempre esperastes
para te fazer sentir

em tua alma, que clameja, como a minha
eu sei ...

que só eu levo teu tempo
só eu levo, tua alma, na minha
quando Tu te sentes sózinho ...


Analuz


B





sabes ...
eu sei que sabes
só Tu sabes
que só tu me dás a vida

me fazes sentir, aquilo que já nem quero
aquilo que já esmoreceu em mim
mas que tu renovas, com  tua maestria

basta ler, tuas palavras
que me dás e entregas com tanto carinho
sentir-te, apenas, mesmo longe
quando não estás presente, no meu ninho

e quando contigo estou
e me entregas tua alma
me dizes que me queres ver bem, só isso para ti vale a pena
para te entregar a calma

minha alma, chora, de ternura, candura
e nem mesma eu sei ...

e quando, me pedes
vem... estar comigo... alguns momentos, apenas ...
vamos passear e sermos só nós dois

vivo, renasço, mais uma vez
e dás-me a vida nóvamente
aquela que o mundo retirou
aquela que Deus sente

e mesmo contra Deus
porque te quero mais que o mundo,
 tudo, aquilo que anima
e porque és o meu Deus, aqui na terra
não desisto jamais
de seguir senda acima




Analuz

alma em dor





quem sou eu, apenas, ora
quem sou, já nem reconheço
nem eu mesma, sou agora

quem sou eu, Deus, sou ora
que retirastes
do ser,  toda minha venda
e me deixastes, nua e só
 nesta senda...

quem sou eu, Deus, agora
já não sinto o que sentia
as luzes da rua, brilhantes
e sua brisa
nem mais tocam
já nada sequer me embria


meus olhos já não veem
meu sabor já não sabe
meu tocar, já não sente
ouvir, já não cabe

quem sou eu, ora
quando sinto a alma ceder
dentro de um corpo que já nem é
um olhar que já nem vê

e o respirar
meu, entrecortado
vai mostrando, dentro e bravo
que a vida se esmoeçeu

e nessa angústia, atroz
que só a alma conhece
apenas num clamar meu
 só tu me reconheces



Analuz


Adeus



um Adeus, querer


apenas, um
de quem se perdeu na Vida e já não a encontra


um Adeus
grande
de quem quer seguir vivendo
e já não se encontra


apenas, uma luz a elumina
e essa luz, pura e bela
lhe dá forças para seguir mais um dia
nesta clausura interna


que a mata, segundo e milésimas
sempre em dor se encontra
apenas quando lhe toca
num pensar, atrás do passado


do que esse luz lhe foi
lhe fez viver, reviver
sobreviver
apenas por a ver
brilhar, apenas
mais uma vez

e essa luz
apenas como um Anjo se me mostra
apenas, no jogo da vida
me retira dele mesmo
e me enleva em suas asas

e essas asas me protejem
me fazem querer viver um pouquinho mais
para sentir
nem que seja, só mais uma vez
sua luz relumbrar
e mim
e não sentir, nada
nada mais ...

ANALUZ






Luz




Luz
onde estás, onde te encontras!
onde te escondestes, que sempre me eras
onde fostes, brilhar, iluminar a quem

Luz
porque me faltas
quando de Ti mais preciso
quando me poderias retirar deste cláusulo
que tu mesma me aprisionsastes

Luz
porque já não brilhas
porque já não és
porque, nem sequer tivestes a ousadia
de me dizer adeus

e, agora
que te busco, incondicionalmente
em todos os cantos da vida
e não te encontro
nem sequer num lumiar, apenas,
te encontro

onde estás Luz
que fostes, minha
e quisestes me abandonar
sem avisar
sem me esclarecer onde te tinha ofendido

Luz
diz-me, apenas
onde estás, para eu
redimida, na minha alma
te encontrar, ou tentar 
que mais uma vez
sejas Minha .....

Analuz


Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o homem chama borboleta.
(Richard Bach)







Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos

Raul Seixas

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